O ESPETÁCULO DA CRUZ

Vivemos em uma sociedade de espetáculos, onde para preencher o vazio do nosso coração tudo vira um show. Seria ingenuidade minha negar que o mundo sempre foi assim, o ser humano foi criado para admirar a glória de Deus e quando não nos ocupamos com isso nos movemos em busca de algo para preencher o nosso desejo.

Por outro lado, também seria ingênuo da minha parte ignorar o fato de que nunca estivamos expostos a tantos espetáculos. A todo momento estamos rodeados por exibições, ao abrir o o celular somos bombardeado pelo espetáculo do consumo, dos corpos exuberantes, das celebridades. Ao caminhar na rua somos chamados a olhar para os painéis que piscam incansavelmente as palavras “compre, compre”.


Somos convidados diariamente a mudar quem somos, “mude seu rosto”, “aumente seus lábios”, “ria mais baixo”, “não fale tanto”. A pressão para diminuir e se encaixar em uma fórmula criada por mãos humanas é continua e nunca cessa.

Por coincidência, ou não, quanto mais cresce o numero de espetáculos, maior se torna o vazio da humanidade. E assim seguimos cegos pelas luzes que nos rodeiam, acreditando que nosso valor está nos aplausos que recebemos, nas coisas que compramos e na maneira que performamos no palco do mundo. Vivemos uma utopia, onde cremos que de alguma forma podemos imputar valor a nós mesmos.


Sem perceber, começamos a esconder o buraco na parede, apagamos as manchas que temos na pele, ignoramos nossas falhas e inventamos relações perfeitas que não existem. Queremos ser perfeitos para receber a maior quantidade de aplausos possíveis. Esquecendo que somente existe perfeição em Jesus e que somente ele é digno de adoração.

Buscamos adoração para nós mesmos, colocando o “eu” em um pedestal. Nos idolatramos e esperamos que o outro dobre os joelhos perante nós. Afinal, se nos moldamos tanto para pertencer, não é de se estranhar que buscamos reconhecimento. Esquecemos que não fomos chamados para contemplar os espetáculos humanos, mas a cruz de Cristo.

Nos dias de hoje, sair do palco, tirar a máscara, mostrar as imperfeições é um ato de coragem. No momento em que você deixa de participar do espetáculo do mundo, você escutará o som das vais daqueles que continuam buscando reconhecimento terreno.

Porém no momento em que você sai do palco, carregando seus medos, angustias e imperfeições, é que começa o espetáculo. Onde o Senhor te moldará e guiará para a glória, não para que o se nome seja reconhecido e aplaudido, mas para que através de sua vida, o Rei dos Reis será louvado.


Como já diz Atos 17:28: “ Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos”.


Não vivemos mais para nós, não buscamos mais os holofotes, não mais nos preocupamos em aparentar. Hoje podemos ser em Cristo e viver somente para a glória de Cristo.