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29 - Sem autoflagelo

Não era de se estranhar. Ela trancou-se no quarto e não quis mais sair aquele dia. Pensava ela que não podia desfrutar daquele momento lá fora depois de ter tido um período tão improdutivo. Ela "não podia", porque afinal não tinha cumprido o que foi proposto. Não havia motivos para ser recompensada e estar com todos. Não "merecia" sair, "precisava" ficar trancada. "Não podia" usufruir de bons momentos depois de ter tido um desempenho tão "desastroso". Assim "aprenderia" a levar as coisas mais a sério, a ser mais responsável com seus projetos, a não ser negligente. Poderia usar aquele tempo sozinha para pensar no que estava errado e, quem sabe, na próxima vez, se fizesse tudo certo poderia sair para fazer algo que seria bom para ela.


Quantas vezes, como no trecho acima, nos punimos sem nem sequer percebermos? Quantas vezes priorizamos as obrigações e deixamos totalmente de lado fazer algo que nos faz bem mas que não é uma "obrigação"? Quantas vezes encontramos um jeito discreto de nos machucarmos porque no fundo acreditamos que "não somos dignas" de viver momentos felizes? Quantas vezes nos limitamos e aumentamos os muros ao nosso redor porque "precisamos" ficar sozinhas? Quantas vezes nos obrigamos a tempos longos de solidão por acreditarmos que não sabemos ou não conseguiremos plantar sementes que gerem relações saudáveis? Quantas vezes cortamos as nossas próprias asas porque de algum modo "queremos" nos "disciplinar" primeiro antes de bater asas e voar?


Em meio às sutilezas de crenças pessoais e sociais arraigadas em nossa mente, construímos os nossos métodos de autodisciplina e "desenvolvimento", e sem checarmos com os princípios da Palavra, concluímos que esses métodos são bons para nós quando muitas vezes acabam nos impedindo de viver conforme a bondosa graça de Deus.


O Senhor é o nosso Pai amado, e quando é necessário nos corrige e disciplina em amor (Hb 12.6); nos mostra que é necessário passar por desertos, privações, e mesmo em meio a elas nos conduz à encontrarmos contentamento (Fp 4.12). Ele sabe os nossos verdadeiros limites e necessidades - por isso é tão importante dependermos dEle e de seus ensinamentos para nos corrigirmos, e não nos basearmos no nosso próprio entendimento (Pv 3.5), porque se não estivermos abertas ao trabalhar de Deus no nosso interior, podemos acabar tanto vivendo de forma dissoluta, como nos obrigando a viver de forma muito regrada.


A parábola do filho pródigo traz o exemplo de dois irmãos. O mais novo passou um período da sua vida vivendo de forma desregrada depois de ter pedido ao pai a sua parte da herança, e quando se arrependeu, foi surpreendido com uma festa, roupas novas, sandália e um anel para ele. Já o mais velho, vivia na presença do pai, mas não estava desfrutando da sua bondade, impondo a si mesmo viver privações que não eram direcionamentos do pai para ele.


"Mas ele respondeu ao seu pai: ‘Olha! todos esses anos tenho trabalhado como um escravo ao teu serviço e nunca desobedeci às tuas ordens. Mas tu nunca me deste nem um cabrito para eu festejar com os meus amigos.

Mas quando volta para casa esse seu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas o novilho gordo para ele!´

"Disse o pai: ‘Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que tenho é seu. Mas nós tínhamos que comemorar e alegrar-nos, porque este seu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado’ ". (Lucas 15.30-32)


Em muitos momentos agimos como o filho mais velho, deixamos de viver momentos de alegria, por estarmos mais focados nas nossas tarefas, e por esperar que o Pai nos dê algo que ele já nos deu - mas ainda não aprendemos a desfrutar.


Estamos nos privando de algo porque é necessário no momento conforme a Palavra de Deus ou porque "precisamos" nos privar disso? Estamos atravessando momentos difíceis ou estamos dificultando, impondo a nós mesmas fardos pesados?


O sangue derramado por Jesus é suficiente para nos tornar dignas aos olhos de Deus. Somos tratadas por Ele como filhas amadas. E todas as bençãos que Ele nos dá, não é porque fizemos algo para merecer, mas sim porque Ele é bondoso e nos ama infinitamente mais do que podemos imaginar.(I Jo 1.9)


Por Bárbara dos Santos

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