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22 - O que dizes que sou

Neste devocional vamos continuar pensando sobre a experiência da perda e do luto, mas dessa vez, observando a história de uma mulher da Bíblia, chamada Noemi. A história dela é narrada no livro de Rute.


Noemi, sem dúvidas, foi uma mulher que sofreu muito. Ela experimentou a dor da perda seguidas vezes. Primeiro de seu marido, e alguns anos após, dos seus dois únicos filhos. Mas mesmo antes das perdas Noemi também já havia passado por algumas outras circunstâncias complicadas. Em um dado momento da sua história ela precisou sair da sua cidade natal com sua família para viver como estrangeira em uma terra que lhe era estranha em busca de pão, por causa da fome que Belém enfrentava (Rute 1:1).


Já não bastasse estar em terra estrangeira, longe do seu povo, a Bíblia narra que “Noemi ficou sozinha, sem os seus dois filhos e sem o seu marido” (Rute 1:5). A vida de uma viúva nos tempos bíblicos era ainda tão mais complicada do que no nosso contexto ocidental de hoje. Na morte do marido, o filho homem da viúva se tornaria o responsável pelo amparo dela, já na ausência da figura masculina, adulta, na família, o que restava à viúva era depender da generosidade dos outros para sobreviver.


Mas na difícil trajetória de Noemi, observo que houve um ponto crucial que poderia ter impedido todo o desenrolar final bondoso da sua história, que conhecemos hoje, se não fosse a graça de Deus agindo sobre a vida dela.


O nome Noemi tem um significado muito especial, ele quer dizer: agradável/amável*. Mas houve um tempo, durante o luto, que Noemi rejeitou o seu nome, o trocando por Mara, que significa amarga ou amargurada. Ela por conta própria decidiu tornar a amargura a sua identidade.


“Mas ela respondeu: "Não me chamem Noemi, chamem-me Mara, pois o Todo-poderoso tornou minha vida muito amarga!” (Rute 1:20).


É comum encontramos na Bíblia Deus mudando o nome de pessoas. Ele chamou Abrão de Abraão, Sarai de Sara; trocou Jacó – enganador – para Israel, que como príncipe luta com Deus. Mas vejamos, Deus não trocou o nome de Noemi. Ela decidiu trocar! Colocando a mercê disso todo o porvir da sua história.


Às vezes agimos como “Noemis”. Deus tem nos dado nome de vida, mas quando enfrentando situações devastadoras decidimos nos definir por elas. Resumimos tudo que somos e toda nossa existência no acontecimento infeliz da nossa história. Deus não tem isso para nós, e ainda bem que Ele também não tinha para Noemi.


Os capítulos seguintes até o final do livro nos mostram a graça de Deus superabundando sobre a vida dela. Ele muda completamente a sua sorte, e transforma o luto que a levou para uma realidade solitária e desesperançosa em celebração de vida e sustento para sua velhice! E mais importante, traz de volta alegria ao seu nome, lhe devolve à identidade. Identidade que ela nunca deveria ter trocado.


“As mulheres da vizinhança celebraram o seu nome e disseram: "Noemi tem um filho! " e lhe deram o nome de Obede. Este foi o pai de Jessé, pai de Davi” (Rute 4:17).


Deus enviou o seu Filho para nos devolver a identidade. Recuperar o nosso perfil original. O que Ele nos criou para ser não muda conforme as misérias, tristezas, perdas, nem qualquer outra adversidade. Você não é aquilo que você passou, você é filha amada. Olhe para Jesus e reencontrará a sua identidade nele.


Por Jeane Chaves Ramos


*Bíblia Mulheres Diante do Trono – São Paulo: Mundo Cristão, 2014.

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