14- Jejum - uma forma de render o nosso corpo a Deus

Mas virão dias quando o noivo lhes será tirado; e nesse tempo jejuarão. Marcos 2:20

Jejuar é o ato de se abster de alimentos por um período, contudo, a prática do jejum envolve mais que não fazer uma refeição ou retirar alimentos, pois é preciso oferecer a Deus e se conectar ao Pai em oração. Pois um jejum sem devoção é uma dieta, uma estratégia nutricional, e não um alinhamento da nossa vida ao senhorio de Deus.


Muito é falado no jejum como uma forma sacrificial em que o indivíduo se coloca em vulnerabilidade para que Deus atenda um pedido, um desejo. Porém, o jejum não deve ser apresentado com um caráter meritocrático, apenas na lógica: eu faço x, para obter y. A real intenção deve ser a inteira submissão a Deus crendo que quem nos sustenta em tudo é o Senhor.


O Senhor tem poder para realizar uma infinidade de maravilhas, entretanto, não devemos usar o jejum como forma de barganha com Deus. Ele sabe dos desejos do nosso coração e daquilo que precisamos. O jejum deve ser praticado dentro do nosso dia a dia, como forma de devotar não apenas o nosso intelecto, mas o nosso corpo por inteiro a Deus, e assim nos submetermos por completo.


Em Isaías temos alguns exemplos de como não devemos jejuar, pois esse jejum sem a centralidade em Deus não o agrada: Contudo, no dia do seu jejum vocês fazem o que é do agrado de vocês, e exploram os seus empregados. Seu jejum termina em discussão e rixa, e em brigas de socos brutais. Vocês não podem jejuar como fazem hoje e esperar que a sua voz seja ouvida no alto. Isaías 58:3b-4.


Ao longo de toda a bíblia, temos exemplos de pessoas que praticaram o jejum para demonstrar arrependimento e para que o Senhor tivesse misericórdia, como Davi (2 Samuel 12:22); outros jejuaram antes de tomar decisões, como Josafá (2 Crônicas 20:3); também foi usado como forma de santificação antes do envio de evangelistas (Atos 13:3). As aplicações do jejum são diversas não só na Bíblia, mas também no tempo de agora. Contudo, a razão primeira deve ser ouvir mais de Deus e ser fortalecido por Ele.


O próprio Jesus jejuou antes de ser tentado no deserto, porém, apesar da fome, Ele foi vitorioso. A sua fraqueza física foi totalmente superada durante a tentação, pois o seu espírito estava plenamente interligado com o Deus Criador (Mateus 4, 1-11). Nesse ato, o Senhor nos mostra que, quando rendemos a nossa vida de forma integral a Ele, podemos superar todas as tentações.


Sem dúvidas, a prática da disciplina espiritual do jejum traz muitos benefícios para a vida cristã. Busque praticá-la com frequência, vale lembrar que é importante conectá-la com a disciplina da oração para que esse não se torne apenas uma dieta, mas, sim, uma forma de alimentação para o fortalecimento do Espírito.


Entretanto, vale ressaltar que as suas condições físicas devem ser avaliadas antes da prática do jejum. Algumas pessoas possuem doenças que lhe impossibilitam fazer essa prática por longos períodos. Por isso, avalie com responsabilidade qual deve ser o que melhor se aplica à sua realidade.


Por Camilla Melo