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As filhas de Ló – O perigo da negligência

Quanto mais algo é negligenciado, mais chances existem de ocorrer pecado

"Um dia, a filha mais velha disse à mais jovem: ‘Nosso pai já está velho, e não há homens nas redondezas que nos possuam, segundo o costume de toda a terra. Vamos dar vinho a nosso pai e então nos deitaremos com ele para preservar a sua linhagem’.” Gênesis 19.31-32


A história das filas de Ló se encontra no final do capítulo 19 de Gênesis, logo após a destruição e Sodoma e Gomorra e da transformação da esposa de Ló em uma coluna de sal. A Bíblia nos conta que Ló e suas filas deixaram Zoar e passaram a habitar uma caverna nas montanhas. Devido à falta de homens na região, a filha mais velha de Ló tem um plano para preservar a linhagem de sua família: embriagar seu pai e deitar-se com ele, convencendo a irmã mais nova a também fazer isso.


A atitude das filha de Ló é errada e condenável, mas o problema dessa história começa antes, com o próprio Ló, que negligencia a continuidade de sua família e a possibilidade de suas filhas casarem e gerarem filhos, escondendo-se em uma caverna. A consequência disso foi o nascimento de dois filhos de Ló com as suas próprias filhas: Moabe, o pai dos moabitas, e Ben-Ami, o pai dos amonitas, ambos povos que foram inimigos de Israel. Do relacionamento impiedoso foram gerados povos impiedosos e infiéis.


Os ensinamentos das filhas de Ló


O perigo de negligenciar o nosso dever

O primeiro exemplo de negligência que essa história nos ensina tem a ver com negligenciarmos o nosso dever. Ló negligenciou a importância de encontrar alguém para as suas filhas se casarem, algo que deveria ser mais importante do que se esconder, e também negligenciou a sua descendência. Quando negligenciamos as nossas responsabilidades, por vezes influenciamos outros ao erro. O que você deveria estar fazendo hoje que não está? O que a sua negligência está fazendo com as outras pessoas?


O perigo de negligenciar o que é pecado

O erro das filhas de Ló de maneira alguma é justificado pelo erro de seu pai. Não importa o que nos leve a pecar, o pecado sempre será pecado, e no caso das filhas de Ló as consequências são muito claras. Nós, como mulheres cristãs, não devemos viver colocando a culpa no outro e justificando nossas escolhas erradas, mas devemos permanecer fiéis ao que é correto, mesmo quando isso nos afeta e prejudica.


O perigo de negligenciar o erro das pessoas

A história das filhas de Ló também nos ensina sobre a rapidez com que muitas pessoas julgam o erro de outros. Geralmente, quando ouvimos a história das filhas de Ló ser contada, o erro de Ló é ignorado enquanto o de suas filhas é condenado. Abordar o erro de Ló não é manchar a sua reputação, mas não permitir que a culpa recaia em apenas um lado da história. É muito comum vermos e vivermos situações em que escolhemos um lado, considerando um dos lados como culpado e o outro como vítima, ignorando as reponsabilidades de cada um. Julgar com lucidez significa avaliar a situação de maneira realista. Você tem conseguido observar as situações de maneira clara, analisando os fatos e sem escolher rapidamente um lado?


A história das filhas de Ló nos fala sobre o perigo da negligência nas mais variadas esferas da vida – as nossas responsabilidades, as consequências do pecado e o erro dos outros – e nos mostra como os frutos da negligência são amargos e suas consequências desastrosas. Nós precisamos viver com lucidez e nos responsabilizarmos por nossas ações, deveres e pela forma como observamos as situações, também buscando viver em santidade, não negligenciando aquilo que nós somos chamados a zelar.


Autoria: Danielli Cadore

Revisão: Rafael Loureiro




Referências base:

BÍBLIA DE ESTUDO DA FÉ REFORMADA. Tradução de João Ferreira de Almeida – Edição Revista e Atualizada. São Paulo: Editora Fiel, 2021.

WALTON, John. Comentário histórico e cultural da Bíblia: Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2018.

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