27 - Queremos ser mansas como Jesus

Há um episódio em que a mansidão de Jesus é manifestada na vida de Paulo e Silas de uma forma muito especial. Eles haviam sido açoitados severamente e presos de forma injusta após expulsarem um espírito imundo de uma jovem. Enquanto estavam no cárcere acorrentados, começaram a orar e a cantar hinos a Deus.


“A multidão ajuntou-se contra Paulo e Silas, e os magistrados ordenaram que lhes tirassem as roupas e fossem açoitados. Depois de serem severamente açoitados, foram lançados na prisão. O carcereiro recebeu instrução para vigiá-los com cuidado. Tendo recebido tais ordens, ele os lançou no cárcere interior e lhes prendeu os pés no tronco. Por volta da meia-noite, Paulo e Silas estavam orando e cantando hinos a Deus; os outros presos os ouviam.

De repente, houve um terremoto tão violento que os alicerces da prisão foram abalados. Imediatamente todas as portas se abriram, e as correntes de todos se soltaram. O carcereiro acordou e, vendo abertas as portas da prisão, desembainhou sua espada para se matar, porque pensava que os presos tivessem fugido. Mas Paulo gritou: “Não faça isso! Estamos todos aqui!”

O carcereiro pediu luz, entrou correndo e, trêmulo, prostrou-se diante de Paulo e Silas.

Então levou-os para fora e perguntou: “Senhores, que devo fazer para ser salvo?” Eles responderam: “Creia no Senhor Jesus, e serão salvos, você e os de sua casa”. E pregaram a palavra de Deus, a ele e a todos os de sua casa. Naquela mesma hora da noite, o carcereiro lavou as feridas deles; em seguida, ele e todos os seus foram batizados.” (Atos 16.22-33)


A mansidão do Espírito ultrapassa os limites da calma humana. Ela nos revela um nível de controle emocional que só conseguimos ter pelo favor e bondade do Pai. Humanamente, Paulo e Silas não teriam condições de suportar as dores e humilhações que passaram sem o poderoso suporte do Espírito Santo. Naquele momento, naquele cárcere, a mansidão de Cristo inundou o coração deles, transbordando em orações e louvores.


Eles não reclamaram, eles não esbravejaram, eles não incitaram uma rebelião, nem mesmo se dispuseram a fugir depois que o Senhor abriu as portas dos cárceres para eles. Eles mantiveram-se em submissão ao caráter de Cristo e à missão que o Senhor havia confiado a eles. Eles começaram a orar e a louvar ao Senhor, pregaram ao carcereiro e serviram a vida dele e de sua família, batizando a todos.


Quando nos deparamos com histórias como a de Paulo e Silas, percebemos o quanto ainda somos “birrentas”, o quanto ainda é difícil para nós suportar aflições sem murmurar, o quanto ainda é difícil para nós não revidar até mesmo a pequenas provocações. Mas não podemos desanimar diante das nossas falhas e fraquezas. Por meio da oração, nos alimentando da Palavra de Deus, podemos ser fortalecidas no nosso íntimo, no nosso interior. Podemos prosseguir crucificando a nossa velha natureza e suplicando que o Senhor continue abrindo as portas do nosso coração, nos libertando do velho “eu” para que Cristo viva em nós.


Por Bárbara dos Santos