08 - O paradoxo da alegria

“entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo.” (2ª Coríntios 6:10)


Parece um paradoxo essa afirmação do apóstolo Paulo. Na verdade, não apenas parece, de fato é um paradoxo para o modo como o mundo, que não conhece a Deus, pensa e discursa. Se pensarmos em alegria a partir da perspectiva do mundo realmente nunca vamos conseguir viver a essência dessas palavras, porque nessa perspectiva é impossível que a tristeza e a alegria ocupem o mesmo lugar. No entanto, a alegria a que Paulo se refere aos Coríntios é uma virtude que compõe o fruto do Espírito, citado em Gálatas 5:22-23: “mas o fruto do Espírito é amor, alegria...”.


Esse fruto é a obra do Espírito Santo manifesta na vida daqueles que estão em Cristo Jesus. É uma consequência de estarmos ligados a Ele (João 15:5). Somente o Espírito é capaz de produzir esse fruto, ele não é obra de força humana, e nem pode ser adquirido de nenhuma outra maneira. Por isso as virtudes que acompanham esse fruto também são tão diferenciadas, pois fogem ao nosso modo natural, como é o exemplo da alegria que Paulo está falando.


Podemos pensar que qualquer pessoa pode ser alegre, então para que se faz necessário a obra do Espírito Santo? É verdade, todos podem passar por momentos de alegria, mas a alegria do Espírito é mais do que momentos, ela é um contentamento profundo, genuíno e ininterrupto em Deus.


Também não vamos nos enganar, achando que isso quer nos dizer que como cristãos não podemos ter sentimentos de tristezas, admitir que estamos sofrendo, chorar e coisas do tipo, longe disso! Não é isso que Paulo está falando, e a Bíblia jamais nos convida para uma vida de negação ou para reprimir nossas emoções. Isso iria contra a maneira que Deus nos criou. Pelo contrário, o que podemos compreender com “entristecidos, mas sempre alegres” é que existe sim tristezas, e nós experimentamos dela por diversas vezes na nossa breve vida. Ela faz parte da nossa experiência humana, mas como crentes em Cristo, como filhos e terrenos férteis para o gerar do fruto do Espírito, somos capazes de, pela graça de Deus, vivenciar uma satisfação inexplicável, apesar de tudo isso.


A alegria que vem do Senhor não é um estado de espírito, eu estou e daqui a pouco não mais. Não é expressa apenas por expressões faciais. Não depende de circunstâncias ou fatores externos, é permanente. É impossível termos isso de nós mesmos, apenas o Espírito é capaz nos proporcionar algo tão incrível!


Além do mais, o objetivo dessa alegria não é nos fazer sentir bem. É interessante a gente notar que quando Paulo cita as virtudes do Espírito aos Gálatas, anteriormente ele estava falando sobre as obras da carne, ou seja, pecados humanos. Então a alegria como virtude desse fruto é para também nos aperfeiçoar na nossa luta presente contra o pecado que rodeia o nosso coração. A alegria gerada pelo Espírito que é experimentada por nós principalmente em momentos de aflições é uma verdadeira arma de defesa para nos preservar contra o pecado que pode nos tentar nesses tempos. O fruto do Espírito vence as obras da carne!


Oração:

Espírito Santo, que a cada dia eu viva a alegria do Senhor, que em todo tempo o meu coração esteja contente em meu Deus. Oro pelo teu trabalhar em mim, que seja o meu coração o terreno fértil onde nascerá o teu fruto. Me ensina a cada dia a viver e caminhar por Ti. Em nome de Jesus, eu oro. Amém.


Por Jeane Chaves Ramos