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22 - Jejuns e intervenções de Deus


“Então Ester mandou a seguinte resposta a Mardoqueu: ‘Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem na capital, Susã, e jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que esse seja um gesto considerado rebelde e contra a lei; se perecer por isso, pereci!’”(Ester, 4.15-16)


O jejum é uma disciplina espiritual que é mencionado em vários contextos nas Escrituras sagradas.


No texto acima, a rainha Ester pede que os judeus jejuem, juntamente com ela e suas servas, pois um decreto havia sido proclamado determinando o extermínio dos judeus.

Para ajudar seu povo, ela precisava ir até o rei interceder por eles. Apresentar-se diante do rei, sem ter sido convidado, era um gesto considerado rebelde e contra a lei, tendo como consequência a morte.


Por causa de todos os riscos, e conhecendo essa disciplina como uma arma espiritual (II Co 10.4), antes de ir até a presença do rei Assuero, ela preparou-se, com todo o povo, jejuando.

Do mesmo modo, nós podemos usar essa disciplina em momentos em que precisamos nos preparar, seja para uma tarefa específica que envolve riscos ou para uma nova etapa em nossas vidas. (At 13.2-3)


Antes de viajar com todo o povo, o sacerdote Esdras pediu a todos que jejuassem, para que Deus os livrassem de todos os riscos que eles correriam durante a viajem.


“Ali, junto ao canal de Aava, proclamei um jejum, a fim de que nos humilhássemos diante do nosso Deus e lhe pedíssemos uma viagem segura para nós e nossos filhos, com todos os nossos bens. Tive vergonha de pedir soldados e cavaleiros ao rei para nos protegerem dos inimigos na estrada, pois tínhamos dito ao rei: "A mão bondosa de nosso Deus está sobre todos os que o buscam, mas o seu poder e a sua ira são contra todos os que o abandonam".

Por isso jejuamos e suplicamos essa bênção ao nosso Deus, e ele nos atendeu.” (Esdras 8.21-32)


Assim como Ester, os judeus e Esdras, Daniel também usou a disciplina do jejum para humilhar-se diante de Deus, e suplicar por Sua intervenção.


“Naquela ocasião eu, Daniel, passei três semanas chorando. Não comi nada saboroso; carne e vinho nem provei; e não usei nenhuma fragrância perfumada, até se passarem as três semanas. (Dn 10.2)


No vigésimo quarto dia do primeiro mês, estava eu de pé junto à margem do grande rio, o Tigre. Olhei para cima, e diante de mim estava um homem vestido de linho, com um cinto de ouro puríssimo na cintura. (v.4-5) E ele disse: "Daniel, você é muito amado. Preste bem atenção ao que vou lhe falar; levante-se, pois eu fui enviado a você". Quando ele me disse isso, pus-me de pé, tremendo.


E ele prosseguiu: "Não tenha medo, Daniel. Desde o primeiro dia em que você decidiu buscar entendimento e humilhar-se diante do seu Deus, suas palavras foram ouvidas, e eu vim em resposta a elas. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias. Então Miguel, um dos príncipes supremos, veio em minha ajuda, pois eu fui impedido de prosseguir ali com os reis da Pérsia.” (Dn 10.11-13)


Nesse capítulo acima, percebemos com mais clareza um momento de batalha espiritual, em que Daniel utilizou a disciplina do jejum e da oração.


Jejuando do que era saboroso para ele, e até mesmo privando-se de fragrâncias perfumadas, Daniel suplicou pelo favor de Deus e demonstrou, humilhando-se diante do Senhor, que era totalmente dependente da intervenção dEle.


Nessa passagem, também percebemos um tipo diferente de jejum. Diferente de Ester e os judeus, por exemplo, que não comeram nem beberam nada, Daniel ficou apenas sem comer o que era saboroso para ele, além de não fazer uso de algo que era prazeroso, como perfumar-se.


Podemos jejuar de acordo com nossas possibilidades, atentas à nossa saúde física, motivações e à forma que estamos vivendo como cristãs (Is 58.1-11). Sabendo que, assim como nas demais disciplinas, vamos crescendo pouco a pouco, com a graça e para a glória de Deus.


Por Bárbara dos Santos